Tem novidade? Tem, sim, senhor! ![]() OH! OH! OH! Strogonoff Petista Deitei a cabeça no travesseiro torcendo para ter um sonho deleitoso, puro, mimosinho, preferencialmente uma viagem no Orient Express. Pensei no trem partindo da Estação Santa Lucia, lá em Veneza, com destino a Viena e, posteriormente, Paris. Entretanto, deu cocô: acabei lembrando do Zé Dirceu, do Sarney, do presidente Lula fazendo seus medonhentos discursos de improviso, o que me fez sonhar com um absurdo strogonoff de carne de macaco, preparado por uma misteriosa quituteira do Mal chamada Mãe Martinha de Malaketo. Sei que foi castigo! * * * QUE COISA!!! Eu escrevo minhas bobagens aqui no recadário e há filas de pessoas a competir para ver quem veste primeiro as carapuças. Que coisa, não? "Ele falou de mim, o maldito Dennis!" / "Foi de mim que ele falou, aquele Dennis cretino e neurótico!" Ora, ora, não procurem pintos em ovos! Digo pêlos em ovos! Pêlos!!! Se as carapuças todas estão servindo tão confortavelmente, talvez signifique algo, não é mesmo? * * * Momento Psicológico Quando o esperto vovô Jung descreveu aqueles maravilhosos arquétipos, tais como o Infante Herói e o Sábio Ancião, esqueceu de mencionar a Caçadora de Pintinhos. Ela é um arquétipo importantíssimo. Importantíssimo! Eu acho que a Caçadora de Pintinhos tem o dom da ubiqüidade - igual a Santo Antonio. Duvidam? Basta passear por aí. * * * Voltando! * * * ![]()
![]() O Filho do Hipnotizador e outras histórias de estranhas pessoas - Dennis D. 208 páginas Contos Diversos Editora Resson Clique: Rede Saraiva Submarino Livraria Cultura
"Over the Rainbow" Harold Arlen
1 - You Neve Know 2 - Unforgettable 3 - Love is a Many Sprendored Thing 1 - Cole Porter 2 - Irving Gordon 3 - Alfred Newman
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São Paulo,
Quarta-feira, Março 24, 2004
![]() Era terça-feira, dia 15 de outubro de 1918. A notícia, contendo um implícito apelo às autoridades do governo federal, estava na primeira página do combativo jornal A Rua - dirigido pelos escritores Pardal Mallet, Olavo Bilac e Raul Pompéia:
Grippe Hespanhola - 'As fabricas começam a fechar, as officinas ficaram com as suas portas cerradas, grande numero de casas de commercio não funccionam. O governo não póde criminosamente ficar de braços cruzados, assistindo platonicamente ao desenrolar dos acontecimentos. O que se esperava desde as primeiras horas de hontem deu-se hoje: as pharmacias começaram a fechar. Desde as primeiras horas em que se declarou a epidemia que a romaria ás pharmacias não parou nem um instante. Houve então uma grande desorientação e uma ignobil exploração por parte de algumas pharmacias. Os preços variavam de pharmacia para pharmacia e de bairro para bairro. O tubo de bromo-quinino passou a custar de 1.500 a 8.000 e 9.000 réis. Uma limonada purgativa 4, 6 e 8.000 réis. Uma capsula com 25 ctgrs. de Sulphato de Quinino custava 400 réis, no maximo, custa 2 e até 3.000 réis! É o furto, parecendo que nem se quer estamos numa cidade policiada! Mas a necessidade era grande e os doentes nos milhares, o que fez com que apezar do descabido escandaloso dos preços, os medicamentos se esgotassem. Várias pharmacias, especialmente nos suburbios, allegam tambem a doença do seus pessoal. Que será da população sem ter sequer medicamentos? Ha mais ainda no capitulo pharmacia. Em algumas dessas casas a exploração na venda dos 'preventivos e preservativos' attingiu as raias do inacreditavel. Tudo era preventivo. Até a vulgar naphtalina! e como tal tudo era cobrado em dobro e em triplo.' Naquele mesmo dia 15, em Teresópolis, perto das seis da tarde, a pequena Maria Francesca Di Savóia Borbone arroxeou-se e morreu. Sua mãe, a princesa Beatrice, não derramou uma única lágrima. Simplesmente se recusou a acreditar naquela morte como um evento definitivo. Tomou nos braços o corpinho molenga da criança, desceu todas as escadas do velho sobrado e trancou-se no porão.
Lá ficou, muito quieta, acocorada num canto, esperando que o carrilhão batesse meia-noite. Nas horas seguintes, que lhe pareceram intermináveis, nenhum pensamento se encadeava a outro, para formar idéias coerentes ou para reviver memórias felizes. Finalmente, ao escutar a última das doze badaladas, a princesa Beatrice chamou o Diabo. E ele veio. Passaram-se muitos anos. A princesa não mais voltou a Madri, pois o Diabo fora bem claro ao detalhar os prós e os contras do milagre concedido. Maria Francesca era amorosa, obediente, a mais encantadora das filhas, mas já precisara trocar de corpo dez vezes e - para a infelicidade de Beatrice - jamais aceitara ocupar um corpo maior. Sempre exigia corpinhos de dois anos de idade, no máximo de três, caso fossem mirradinhos. A cabeça também fora trocada algumas vezes. Apenas três vezes, na verdade, pois parecia durar bem mais. Mesmo sem os olhos, a rediviva Maria Francesca tudo enxergava; mesmo sem a língua ou as cordas vocais, sua voz permanecia a mesma: muito baixinha, muito suave, como se imagina ser a voz de um querubim. Além disso, Maria Francesca pintava belíssimas aquarelas, tocava piano com perfeição e falava e escrevia corretamente em nove idiomas, incluindo o russo e o grego. O príncipe não aceitara o milagre. Voltara para a Espanha em 1919, carregado de mentiras. Na cripta do seu palácio, em Madri, realizou o sepultamento de ossos de boi, sob duas impressionantes estátuas de bronze, que representavam a esposa e a filha, unidas em terno abraço - ambas supostamente mortas na floresta tropical, despedaçadas por uma onça de 130 quilos. Ninguém duvidou das explicações ou das lágrimas invisíveis do príncipe. Em dezembro de 1926, na ante-véspera do Natal, a princesa Batrice pôs-se a escovar os cabelos da filha. De repente, um cacho louro desprendeu-se inteiramente da cabeça de Maria Francesca, trazendo consigo alguns centímetros do couro cabeludo. A menina choramingou: - Eu bem que disse que esta cabeça estava horrível, madrecita! Quero outra, nova e linda, para comemorar o Natal! A princesa exasperou-se: - Não há tempo, meu bebê! O Natal está aí... - Seja boazinha, madrecita querida! Se eu não tiver uma cabeça nova e linda, juro que morro! Juro que morro, madrecita! - e caiu em prantos. "Nunca morrer assim! / Nunca morrer num dia / Assim! De um sol assim!"
(os três primeiros versos do poema In Extremis, de Olavo Bilac) * * * - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO AUTOR - - Este conto está registrado na Biblioteca Nacional - _____________ CLIQUE ABAIXO
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Terça-feira, Março 09, 2004
Odette de Crécy era luxuosamente vulgar e sua cultura tinha a profundidade de um pires. A catléia dela exalava um cheiro forte, muito forte. Se Odette tirasse as calcinhas na praia... seria atacada por bandos de gaivotas esfomeadas, creiam-me. Entretanto, Odette de Crécy era uma verdadeira cocote, aos moldes galantes do século XIX, e tinha encantos, graciosidades que compensavam seu ordinarismo natural.
Momento bucólico. Caminhemos até o campo. As vacas no cio levantam o rabo, exibem as mucosas saltadas, vermelhas, molhadas, pulsantes, mas abaixam a cabeça, como se aquele oferecimento instintivo as constrangesse. Abaixar a cabeça é, e sempre foi, uma expressão da mais pura singeleza vacum, e não uma atitude submissa, notem bem. Todo recato feminino é sempre singelo, repararam? É singelo e sedutor, ainda que se manifeste em mulas, vacas, galinhas ou cadelas sarnentas. As Odettes modernas preferem empinar o nariz, fingir superioridade e fazer do seu ordinarismo inato uma bromélia colossal, a flor abrutalhada que nos inspira uma certa curiosidade, mas que não sabemos onde colocar. Onde caberia uma colossal bromélia de ordinarismo? Por isso, é justo que reconheçamos a superioridade das vacas, como também a superioridade das honestas putas de Vila Mimosa, que se revelam sublimes em comparação às Odettes modernas, no conteúdo como na forma, no direito e no avesso, na intenção e na atitude. A famosa Odette de Charles Swann era burra, é verdade, mas não tão burra quanto as Odettes de hoje, de agora mesmo, daqui, essas tamanqueiras vanonis, assustadoras, que só fazem cirandar e cirandar, e cirandar mais do que moscas de abatedouro. Frenéticas como musas do beri-beri javanês, vivem para celebrar o Nada, festejar o Coisa-Alguma, bater palmas ao vento e pedir mais, muito mais de qualquer coisa, ainda que seja uma sobra, um resto de um resto de um resto. Blergh! As Odettes de hoje nada deixarão de interessante ou de útil; passarão pelo mundo como um peido de galinha, uma coisinha à toa que não faz diferença alguma, porquanto seja apenas um peido de galinha. E como escrevem mal! Não falo em gramática, não, mas em desordem de idéias (desordem textual e contextual). Ah! enfim eu descobri o que são essas Odettes modernas: são dadaístas! Que horror, o dadaísmo voltou do reino das idéias mortas! Devemos avisar o Caetano e o Décio Pignatari? (Huaaaaaaaannn! Perdão pelo bocejo de tédio.) Atenção! Atenção, Odette n° 7.654! Pode vestir sua carapuça, esteja à vontade, criatura! E depois de vestir a carapuça... wassel fühder, por gentileza! |